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Arquivo mensal: maio 2020

Transporte da locomotiva nº10

Chegou hoje nas oficinas de Cruzeiro a locomotiva nº10, ex SPR, fabricada na Inglaterra pela Sharp, Stewart & Co. em 1867. Essa é hoje a terceira locomotiva mais antiga existente no país, ficando atrás apenas da Baroneza (1852) e da nº15, ex SPR (1862) e, após todo o processo de reforma, será a mais antiga em funcionamento no Brasil.

Essa é de fato a primeira locomotiva da ABPF, doada a associação em fins dos anos 70 pelo seu proprietário anterior, o Frigorífico Bordon, que por sua vez a adquiriu anos antes da então EFSJ para uso nas manobras dentro de seu pátio.

Foi levada para Jaguariúna, sede da ABPF na época onde permaneceu por algum tempo, aguardando a oportunidade de ser recuperada. O fato de ser uma locomotiva de bitola larga era um grande limitador para o uso da mesma, uma vez que na época a ABPF só possuía o trecho em bitola métrica de Campinas a Jaguariúna mas, o mais importante havia sido conquistado: a preservação da mesma.

A possibilidade de se realmente a utilizar só veio na década de 1990, quando a ABPF conseguiu a cessão do antigo desvio da Hospedaria dos Imigrantes, em São Paulo capital. Esse desvio, de cerca de 1km em bitola larga abriu a possibilidade para a ABPF de resgatar e utilizar o material de bitola larga.

Em 2001 foi concluída a restauração, com apoio da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos e do Engenheiro Lincoln Palaia, passando a locomotiva então a trabalhar junto com a nº5, ex. EFCB no “Trem dos Imigrantes”.

Posteriormente, com o projeto do “Trem dos Ingleses”, foi levada para Paranapiacaba para tracionar o trem turístico no pátio do museu.

Lá funcionou por alguns anos, até que a sua fornalha, feita de cobre assim como em todas as locomotivas a vapor fabricadas até a década de 1870 e, em alguns casos até depois dessa década, sofreu com a fadiga do material, apresentando diversas trincas, um problema crônico de todas as locomotivas a vapor que possuem fornalhas feitas com esse material (por isso a adoção do aço a partir da década de 1870).

A solução para este problema é a substituição completa da fornalha por uma nova, feita de aço, algo que é impossível de ser feito no local onde ela estava, uma vez que depende de muitos recursos (uma oficina completa, com grandes equipamentos), além de estrutura para realizar a desmontagem completa da locomotiva e a remoção da caldeira do chassi; por isso foi trazida para Cruzeiro, onde todo esse trabalho será realizado e, aproveitando-se a desmontagem completa, toda a mecânica será refeita.

Transporte para Cruzeiro

Toda a operação para transporte da locomotiva levou meses; foi necessário muito planejamento e preparação da locomotiva para poder ser rebocada. A MRS Logística foi uma parceira primordial para essa realização, uma vez que é impossível acessar o pátio de Paranapiacaba com carretas e guindastes para uma operação como essa. Desde o início, a MRS nos recebeu e começou a trabalhar em conjunto conosco para que a operação pudesse ser feita da melhor maneira possível, com plena segurança para todos e para a locomotiva.

No dia 26/05 a locomotiva nº10 manualmente (puxada e empurrada com cabos de aço e alavancas) foi levada até uma das linhas da MRS no pátio de Paranapiacaba onde uma locomotiva diesel-elétrica daquela concessionária finalmente pode rebocá-la. Nos metros finais foi puxada por uma escavadeira da MRS, gentilmente cedida pela equipe de via que estava no local.

A locomotiva nº10 já nas linhas da MRS, aguardando para ser rebocada
Aguardando a locomotiva diesel da MRS para rebocá-la até o pátio de Campo Grande

A locomotiva nº10 foi mais uma vez revistada e lubrificada e então seguiu rebocada para o pátio de Campo Grande, onde permaneceu aguardando até ontem, dia 27/05 para ser carregada na carreta para seguir viagem.

Composição com a locomotiva nº10 pronta para partir
A 10 no trecho, seguindo para Campo Grande
Parada para verificação da temperatura dos mancais e buchas das braçagens
Já no pátio de Campo Grande

Esta operação foi extremamente complexa, devido a delicadeza da locomotiva nº10 em relação as grandes locomotivas hoje usadas pela MRS, mas foi tudo planejado de forma cuidadosa pela empresa de forma a evitar “stress” desnecessário a locomotiva nº10.

Içamento da locomotiva nº 10
Sendo colocada sobre a carreta
Já devidamente ancorada à carreta, pronta para seguir viagem
Deixando o pátio de Campo Grande…
… chegando em Cruzeiro
Sendo preparada para ser descarregada

Nossos agradecimentos a MRS Logística S/A por todo o apoio e empenho para essa grande realização; sem essa parceria não teria sido possível realizar essa remoção, que é o primeiro passo para a recuperação plena da 3ª locomotiva mais antiga e que será em breve a mais antiga em funcionamento do país.

 
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Publicado por em 28 de maio de 2020 em Uncategorized

 

Obras nas linhas da Regional Sul de Minas

As obras nas vias permanentes sob responsabilidade da ABPF – Regional Sul de Minas não param. Estamos avançando nas melhorias de forma constante, com recuperação completa dos trechos onde além da manutenção periódica estamos também fazendo reformas completas, com limpeza, descontaminação de lastro, substituição de dormentes, nivelamento e alinhamento da via, complementação com lastro novo, limpeza da faixa de domínio e melhorias na drenagem da plataforma da via.

Aspecto do km 27+650 antes dos trabalhos
Aspecto do km 27+650 durante a realização dos trabalhos de limpeza da faixa de domínio
Aspecto do km 27+650 após a conclusão dos trabalhos
Km 27+700 com a limpeza feita em uma das laterais da via
Km 27+700 após limpeza das duas laterais da via
Aspecto do km 28+900 antes dos trabalhos
Aspecto do km 28+900 após serviço de limpeza da faixa de domínio
Aspectos antes e depois dos trabalhos no km 32+050: substituição de dormentes, descontaminação de lastro, alinhamento e nivelamento da via além de limpeza da faixa de domínio
Km 32+200 no início dos trabalhos: remoção do lastro para descontaminação e substituição de dormentes
Aspecto do km 32+200 após a conclusão dos trabalhos: descontaminação do lastro antigo, substituição de dormentes, alinhamento e nivelamento da via, aplicação de novo lastro para complementação do antigo e limpeza da faixa de domínio
Aspecto do km 32+230 no início dos trabalhos
Km 32+230 após conclusão dos trabalhos
Km 32+320 no início dos trabalhos: remoção do lastro para descontaminação e substituição de dormentes
Aspecto do km 32+320 após a conclusão dos trabalhos
Km 32+300 antes
Km 32+300 depois
Início dos trabalhos no km 32+400: limpeza da faixa de domínio na lateral direita
Trabalhos no km 32+400: faixa de domínio já limpa, lastro removido para descontaminação e substituição de dormentes
Aspecto do km 32+400 após a conclusão dos trabalhos: faixa de domínio limpa, lastro descontaminado e complementado, dormentes substituídos e via alinhada e nivelada
Início dos trabalhos no km 32+500: limpeza da faixa de domínio e remoção do lastro para descontaminação e substituição de dormentes
Trabalhos concluídos no km 32+500
Início dos trabalhos no km 32+550: limpeza da faixa de domínio, remoção do lastro para descontaminação e substituição de dormentes
Aspecto do km 32+550 após conclusão dos trabalhos

O Trecho de São Lourenço a Soledade de Minas, excetuados os pátios das estações, está todo com dormentação de concreto bi-bloco. Os pátios estão sendo completamente reformados, com substituição dos dormentes antigos de madeira por novos, além de descontaminação do lastro, aplicação de novo para complementação, nivelamento e alinhamento das vias. Houveram inclusive remodelações nos pátios para melhoria das condições de operação, garantindo maior segurança e praticidade.

Aspecto da via na estação de Soledade de Minas antes dos trabalhos
Trabalhos em andamento: remoção do assoreamento e do lastro para descontaminação e substituição dos dormentes
Aspecto do trecho final da linha, após o pátio de Soledade de Minas
O mesmo trecho, sendo recuperado para expansão do pátio de manobras

Nossas linhas estão hoje atingindo patamares que não eram vistos desde os anos 30/40, uma vez que depois dessa época iniciou-se a decadência dessas linhas até a total desativação e abandono em 1990.

São grandes investimentos que se tornaram possíveis graças a cessão da superestrutura, feita pelo DNIT, o que ofereceu a segurança jurídica necessária para que a ABPF pudesse realizar isso. A cessão se deu por meio do Termo 86 Bens Móveis /2018/SEATEC CGPF/DIF/DNIT, processo 50600.023266/2018-77.

 
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Publicado por em 12 de maio de 2020 em Uncategorized