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Samba e Vapor 2012

02 maio

“Samba e Vapor” foi o nome dado à excursão promovida pelo LCGB (Locomotive Club of Great Britain ou “Clube da Locomotiva da Grã Bretanha”) que trouxe ao Brasil 26 integrantes do clube, sendo 23 ingleses, 2 australianos e 1 alemão.

O grupo visitou o Brasil dos dias 23 de Fevereiro a 10 de Março e com apoio da Regional Sul de Minas que cuidou dos contatos e da organização da parte ferroviária da excursão, visitaram diversas ferrovias a vapor preservadas, sendo a grande maioria ferrovias mantida pela ABPF.

O grande objetivo do grupo era fotografar e filmar o maior número possível de locomotivas a vapor em operação e com o suporte da ABPF foi possível ao grupo conhecer dezenas de locomotivas, sendo que presenciaram 19 em funcionamento e muitas outras preservadas ou aguardando restauração.

A excursão teve inicio no Rio de Janeiro que foi a porta de entrada dos visitantes no Brasil, após passar uma noite na cidade o grupo partiu então em direção a São João Del Rei MG, para visitar o complexo da VFCO (Viação Férrea Centro Oeste) mantida pela FCA (Ferrovia Centro Atlântica) e que foi criada a partir de esforços da ABPF junto ao governo federal.

Além disso, parte do grupo se deslocou a Ouro Preto MG para fotografar e conhecer o acervo que a ABPF cedeu a FCA para operar o Trem dos Inconfidentes.

Após o final de semana o grupo retornou na segunda-feira para o Rio de Janeiro, onde visitou a Fazenda Mato Alto e pode conhecer o acervo mantido na Fazenda além de realizar filmagens e fotografias de todo material.

Após a visita o grupo permaneceu por dois dias na cidade para conhecer os principais pontos turísticos, para então novamente voltar à estrada e visitar outras ferrovias.

A próxima parada do grupo foi Passa Quatro MG, onde conheceram a operação da Regional Sul de Minas e realizaram dois passeios de trem exclusivos, sendo um no período da manhã e outro no período da tarde, tirando proveito assim de diferentes pontos de fotografia com o sol da manhã e o sol da tarde.

Parte do grupo se posicionando para fotografar o Trem da Serra da Mantiqueira em Passa Quatro

A necessidade do trem exclusivo era devido às exigências especiais do grupo, que tinha como prioridade fotografar e filmar o trem e não fazer o passeio. Para tal o grupo escolhia diversos pontos na ferrovia, onde o trem parava e fazia o desembarque dos passageiros, após o desembarque o trem recuava e realizava diversas passagens para criar oportunidades para filmagem e fotografias.

Outra tomada do Trem da Serra da Mantiqueira

No final do dia o grupo seguiu para São Lourenço onde foi recebido com um jantar na estação onde já foi possível conhecer o acervo da ABPF e ver o que era esperado para o dia seguinte.

Sexta feira as 09:00hs da manhã parte então o trem especial formado pela locomotiva 1424 e 5 carros de madeira, durante a viagem para Soledade de Minas novamente foram realizados diversas tomadas e a viagem que normalmente leva 40 minutos dessa vez levou 3 horas para que os visitantes pudessem aproveitar todos os bons pontos para fotografia.

Composição especial do Trem das Águas

Logo após retornar a São Lourenço o grupo partiu para Cruzeiro, onde visitou a Amsted Maxion, que mais uma vez abriu suas portas para que entusiastas pudessem ver de perto as locomotivas do tipo “Sentinel”, as duas ultimas no mundo ainda em uso comercial.

A comitiva seguiu então para as oficinas da Regional Sul de Minas, onde conheceu o restante do acervo da regional e os trabalhos de restauração, para depois partir para São José dos Campos onde pernoitou.

Já no Sábado o grupo prosseguiu para Campinas, onde ao invés de fretar um trem especial foi decidido desfrutar de toda operação da regional, onde no sábado iriam circular três trens, com encontros, manobras e etc. Ainda foi possível contar com a colaboração e sempre prestativa regional de Campinas que facilitou algumas paradas extras do trem para fotografias e filmagem, aproveitando-se assim ao máximo da mais complexa operação com trens a vapor do Brasil.

grupo na estação Tanquinho na VFCJ

No domingo o grupo teve o dia mais extenso de toda excursão, foram visitados quatro locais de preservação. O dia começou com uma visita a Estrada de Ferro Perus Pirapora, mantida pelo IFPPC (Instituto de Ferrovias e Preservação do Patrimônio Cultural – http://peruspirapora.blogspot.com.br/), que fez um trem especial misto (com vagões de carga e um carro de passageiros) para deleite dos visitantes.

Trem misto especial na EFPP

Na sequência foi visitado o Parque Dom Pedro, já na capital paulista, que conta com duas locomotivas a vapor e uma locomotiva elétrica em exposição, do parque o grupo se dirigiu ao Trem do Imigrante para visitar o Pátio da Mooca mantido pela regional de São Paulo, foi feito um passeio de trem e depois uma extensa visita a todo acervo. Por fim, se dirigiram a Paranapiacaba em Santo André para conhecer o Trem dos Ingleses, outra operação da regional de São Paulo.

Fotografando o Trem dos Ingleses em Paranapiacaba

Já na segunda-feira o grupo madrugou para poder pegar um voo logo cedo para Joinville – SC de onde seguiu para Rio Negrinho – SC visitando assim o acervo mantido na cidade pela Regional de Santa Catarina. Foram realizadas também manobras com duas locomotivas a vapor simulando chegadas e partidas da estação de Rio Negrinho.

A locomotiva 760 foi o grande destaque em Rio Negrinho

Na manhã seguinte foi feita uma visita ao NuRVI (Núcleo Regional do Vale to Itajaí), onde além da visita ao acervo da regional foi realizada uma visita a Usina Salto Pilão que gentilmente abriu suas portas aos entusiastas. No trecho da EFSC (Estrada de Ferro Santa Catarina) restaurado foram feitas diversas fotografias e filmagens aproveitando-se das magníficas obras de arte da ferrovia, que inclui viadutos e túneis.

Fotografando no túnel da EFSC

Quarta feira o grupo já se encontrava em Piratuba para visitar o trem do contestado, mantido também pela Regional de Santa Catarina. Foram dois trens especiais, sendo o primeiro de meio percurso e o segundo com o percurso completo, com horário calculado de forma a se chegar ao final do passeio com o sol em posição para a tradicional foto da ponte de ferro.

Trem de meio percurso em Piratuba

Partindo de Piratuba

Grande final da viagem em Piratuba

O ultimo trem visitado foi o mantido pelo SALV (Sociedade dos Amigos da Locomotiva a Vapor) em Tubarão SC, a visita incluiu um tour pelo museu ferroviário e um trem especial misto com quatro vagões de cargas de forma a simular os antigos trens de carvão da Ferrovia Teresa Cristina.

Conclusões Finais

Mais uma vez a ABPF mostrou que a preservação ferroviária não se trata apenas de preservar a memória de um país, mas que explorado de forma correta e consciente pode trazer diversos frutos a nação. Desta vez tivemos 26 visitantes internacionais que certamente vão divulgar o Brasil e seus trens para diversas pessoas, sem contar que o LCGB possui mais de 1000 associados por todo mundo que em breve vão receber um relatório da viagem ao Brasil.

Vários integrantes do grupo destacaram que ficaram surpresos com todo o trabalho da ABPF além de destacar a pontualidade dos trens, mencionando que em alguns casos, os trens já estavam prontos uma hora antes do combinado.  Alguns membros inclusive citaram que a ABPF deveria considerar expandir suas operações para fora do Brasil, em especial nos países vizinhos.

Por fim, os organizadores mencionam que devido o grande sucesso da excursão já pensam em realizar um segundo tour, se preocupam apenas que vai ser quase impossível, segundo palavras deles próprios, fazer uma excursão tão perfeita quanto esta.

Também é espera-se que este evento ajude e possa servir de inspiração para criação de eventos semelhantes por entidades nacionais e grupos de entusiastas, promovendo assim visitas e trens especiais para fomentar o turismo ferroviário nacional.

Por fim, fica o agradecimento a todos colaboradores e voluntários da ABPF que tornaram essa visita um grande sucesso, sem a paciência, colaboração e esforços de toda a entidade, essa excursão não teria sido o sucesso que foi. Parabéns a todos!

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9 Respostas para “Samba e Vapor 2012

  1. Dário Bizzo

    3 de maio de 2012 at 9:55

    Parabéns à ABPF e todas as suas regionais. Pelo menos do exterior, esta associação recebe os louros que merece! Falta apenas agora, conseguir mais apoio das autoridades naionais que praticamente desprezam a ABPF e lhe negam ajuda.
    Parabéns Bruno!

     
    • bcsanches

      3 de maio de 2012 at 9:58

      Muito Obrigado Dário!!

       
  2. Vanderlei A. Zago

    3 de maio de 2012 at 20:40

    Com certeza… mostrando que a ABPF está apta a desenvolver e prestar serviços como este realizado brilhantemente por vocês… que venham os próximos! Parabéns, Bruno! Zago.

     
  3. Marco Antonio

    19 de maio de 2012 at 15:42

    Ocasiões como essa são muito importantes para que tenhamos a valorização de nossos propósitos, a confirmação de que todo o esforço e perseverança valem a pena.
    Triste é saber que enquanto os “de fora” sabem valorizar o que aqui temos e temos feito, os “de dentro” insistem em nos chamar de loucos e visionários…
    Parabéns à ABPF e em especial ao Regional Sul de Minas, de que orgulhosamente farei parte.

     
    • bcsanches

      19 de maio de 2012 at 17:51

      Valeu Marco! Realmente o pessoal de fora aparentemente tem valorizado mais, uma pena. Espero estar totalmente enganado.

       
  4. almyr pereira de rezende/brontra pela frente em matéria de ferrovia.asília df

    24 de setembro de 2012 at 20:34

    existe um antigo ditado que diz: “santo de casa não faz milagre”.
    um exemplo típico, é na cidade de miguel pereira-rj, as administrações do município e outros ligados, são omissos, apesar da região ser turística.
    hoje, os 06 carros que estão rodando em ótimas condições em são lourenço, são oriundos de
    miguel pereira.
    eles estavam jogados em um desvio atrás da estação, depois de duas tentativas da RFFSA de implantar o trem de turismo por lá.
    felizmente, foram salvos a tempo, hoje, a exemplo do automóvel de linha, seriam ferro velho
    queimados.
    as opiniões negativas a respeito, geralmente são pouco felizes, carecendo de um pouco
    mais de cultura histórica.
    almyr/bsb

     
    • bcsanches

      24 de setembro de 2012 at 20:41

      Almyr,

      hoje os carros, que são todos da EFCB, fabricados em Belo Horizonte estão na sua maioria em São Lourenço, dois estão em Passa Quatro.

      Nem todos foram levados na mesma época, dois foram deixados, para que ainda fosse possível re-implantar o trem turístico na região, algo que nunca se concretizou, então a ABPF moveu os carros para São Lourenço. Infelizmente os dois carros que ficaram para trás foram levados para serem reformados em uma empresa, que acabou por destruir os truques deles.

       
  5. milton

    2 de outubro de 2012 at 9:46

    Quando inaugurou a explosão rodoviária nos anos 60 e metade dos anos 70, o povão tomou o maior repúdio ao q se refere em ferroviária, mas, digo-lhe uma coisa: quem é a história é a ferroviária, veja barões do café, e mesmo na sua implantação operários deram a sua vida como Cristo na cruz p,ra q a mesma existisse. Como assim? acidentes e mesmo a ferrovia Madeira-mamoré dezenas e dezenas foram vitimados pela malária provocado por um mosquito e mortos. Na rodoviária não hove isso. O povão deveria olhar isso tbm. Até o seu pessoal administrativo naquelas épocas com muita moral e ordem, os q estão vivos nem querem saber de tal assunto. Isso não deve ser assim.

     
    • bcsanches

      2 de outubro de 2012 at 9:58

      As ferrovias inicialmente desbravaram o Brasil, fazendo quase o mesmo papel dos bandeirantes. Só que a maioria parou no tempo, nunca se modernizou e foi virando sucata, quando os ônibus e as estradas chegaram, era natural que as pessoas dessem preferência, afinal, como as ferrovias pararam no tempo, os ônibus sim era sinônimo de progresso.

      Uma evolução muito diferente do EUA e a da Europa, onde as ferrovias investiam pesado em tecnologia e sempre foram sinônimo de progresso.

       

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